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Mãe solo? 6 passos para encontrar um respiro na rotina

Atualizado: 22 de jun. de 2020

Criar um filho é tarefa árdua, mesmo quando se tem um companheiro ou companheira na divisão diária de tarefas. Se você encara essa jornada sozinha, certamente segura uma carga ainda mais puxada. Aqui, separamos algumas dicas fundamentais para você respirar, não se culpar e seguir mais leve



"É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, já dizia o provérbio africano. Fica fácil entender seu significado quando se tem um filho: é impossível exercer essa tarefa sem o mínimo de relação com o outro, seja ele o pai, a avó, a vizinha, a escola, a mãe do amigo da sala. E isso se torna ainda mais gritante quando não se tem a primeira pessoa com quem se espera compartilhar a criação de um filho, ou seja, um companheiro ou companheira.

Esse é o contexto em que vivem as chamadas mães solo – que nem sempre tem a ver com estado civil, mas, sim, com o sentimento e a sobrecarga de responsabilidades. “É muito mais relacionado à vivência e ao sentimento do que o fato em si. Na relação com o outro é que as coisas se dão, e na maternidade não é di ferente. O que acontece nesse caso é a maternagem sem a presença de alguém com quem compartilhar”, explica a psicóloga Rita de Cássia Calegari, especialista em Psicologia da Saúde (SP).

Infelizmente, o número de mulheres que encaram o dia a dia – nada fácil – com os filhos sozinha é cada vez maior. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, em 2018 havia 11,5 milhões de mães em domicílios com “arranjo familiar formado por responsável sem cônjuge e com filho(s) até 14 anos” (em 2010 eram 10,5 milhões). Isso sem contar aquelas que são casadas, mas ainda assim exercem uma maternidade solo. Isso pode acontecer por diversos motivos, desde o pai ausente de fato até aqueles que trabalham demais e acabam deixando as responsabilidades todas com a mulher – que, muitas vezes, também trabalha, diga-se de passagem.

Foi o que viveu por muitos anos a jornalista Ana Paula Freitas, 43 anos, mãe de Leonardo, 15. Seu marido é engenheiro e sempre passou mais tempo viajando a trabalho do que em casa. Há dois anos, ela teve a oportunidade de trabalhar em Orlando, nos Estados Unidos, e não pensou duas vezes: pegou o filho e foi. “Eu já dava conta das coisas sozinha mesmo, então resolvi tudo, mesmo em outro país: desde alugar casa e comprar carro até instalar telefone e trocar lâmpada, isso sem falar em todos os cuidados com o meu filho”, lembra. Para Ana Paula, o mais difícil em ser mãe solo sendo casada é manter a autoridade e estar em sintonia com o marido em relação a isso. “Se meu filho ouvia um ‘não’ meu e pegava o telefone para pedir a mesma coisa ao meu marido, ele tinha de manter a minha palavra. Conseguir ter voz ativa quando se está sozinha é mais difícil”, diz.

A psicóloga Rita Calegari ressalta que ser casada e, ainda assim, fazer tudo sozinha talvez represente a mais solitária das mães solo, porque a solidão a dois é sempre dolorosa. “As relações pressupõem algum nível de troca. Nesse caso, ocorre a frustração de ter alguém e, ainda assim, não poder compartilhar ou contar com a pessoa”, diz.

Hoje, Ana Paula já não vive mais assim, pois Cássio, seu marido, trabalha em uma cidade a uma hora e meia de Orlando, e a família está se acostumando a passar mais tempo junta, quando se reúne todas as noites.

Mas e quando não existe essa opção? Seja porque o pai nunca assumiu a criança, porque o casal se separou e o marido se ausentou de vez, porque a mulher ficou viúva ou porque não tinha um companheiro e optou pela reprodução assistida ou adoção... As dificuldades serão grandes, claro, não adianta negar. Mas ver o sorriso do filho e sentir orgulho por saber que você está criando um ser humano incrível vale todo o esforço, não é?

O que não significa que você tenha de ser uma “supertudo” e não possa aliviar essa carga pesada na sua rotina. Por isso, separamos dicas para ajudá-la nessa missão. Não dá para escapar daqueles dias em que tudo que você queria era chegar em casa e se jogar no sofá, porém, é possível ter uma maternidade mais leve, ainda que seja solo.

• REDE DE APOIO: O MUST HAVE DA MATERNIDADE Você já entendeu que não precisa dar conta de tudo sozinha, então é hora do próximo passo: pedir ajuda. Ter uma rede de pessoas com quem dividir as responsabilidades, seja em relação à casa ou à criança, é fundamental para que você esteja inteira para o seu filho como mãe.

A gerente imobiliária Patricia Flecha, 43 anos, optou por reprodução assistida quando resolveu se separar e encarar um bebê sozinha. Hoje, sua filha Isabella tem 1 ano e Patricia diz que encoraja outras mulheres que tenham essa vontade a viver a experiência, mas sempre com suporte. “O corpo está cansado, o bebê depende de você 24 horas por dia, então, peça ajuda pelo menos nos primeiros meses. Assim, mãe e filho estarão melhores”, aconselha.

A ilustradora Thaiz Leão, 30 anos, mãe de Vicente, 6, autora do livro O Exército de uma Mulher Só e do @a_maesolo, ainda lembra que, para que essa rede seja realmente útil e produtiva, você deve ser franca com as pessoas. Pergunte “o que você pode fazer para colaborar comigo nesse processo?”. Pode ser difícil até mesmo com os melhores amigos, mas é importante. “Eu dizia ‘amiga, me ajuda?’ e ela respondia ‘sim, vou te ajudar a colocar o ex na Justiça’. Mas não era disso que eu precisava, ‘preciso de arroz e feijão para hoje’. Questione ‘o que você pode significar para essa criança?’. Participar financeiramente, com seu tempo? Eu, por exemplo, não tenho tempo, mas faço um bolo de laranja sem igual – e às vezes é só isso que uma mãe precisa em determinado momento”, diz.

•LEMBRE-SE DEQUEM VOCÊ É Em meio ao turbilhão de responsabilidades e emoções, isso nem sempre é fácil. Mas é fundamental para que você não se perca pelo caminho e acabe jogando expectativas ou cobrando coisas do seu filho. Quando menos perceber, ele estará se sentindo culpado pela sua infelicidade.

“Não dá para deixar de ser mulher e se anular para ser somente mãe, isso mais tarde tem um peso muito grande, tanto para você quanto para seu filho. É importante trabalhar, sair com as amigas, fazer um esporte, ter uma religião, fazer algo que goste”, diz a publicitária Tatiana Diniz, 42 anos, mãe solo de Patricia, 23, Yuri, 22, Ícaro, 8, Ynaiê, 4, e Caetano, 2.

•NINGUÉM TEM SUPERPODERES “Queime a capa, não seja supermãe. Essa é a coisa mais desleal que você pode fazer com a mãe que quer ser.” Esse é o conselho de Thaiz Leão. Não crie expectativas inalcançáveis, isso só fará com que você se frustre e seja infeliz com seu papel de mãe. Nehuma mulher – mesmo casada – consegue (ou precisa) estar com unha e cabelo impecáveis, nunca se atrasar para pegar o filho na escola, preparar lancheira saudável todos os dias, deixar a casa sempre limpa e organizada.

Mais: manter-se produtiva no trabalho, dar atenção aos amigos, almoçar todo domingo na casa dos pais, pensar em mil e uma brincadeiras para que o filho não fique só nos eletrônicos, entre outras mil responsabilidades, e ainda assim manter a sanidade mental. Apenas pare. E respire. Ninguém tem superpoderes no mundo real, infelizmente. Isso não significa que você vai ser imprudente ou desleixada, mas ape- nas que jogará o jogo seguindo regras realistas e não terá vergonha de pedir ajuda. As expectativas que lutem!

•TEMPO PARA SI MESMA, SIM! Você pode estar pensando “ah tá, você acha mesmo que criando um filho sozinha ainda vou ter tempo para mim?”. Ok, sabemos que é complicado. Mas, exatamente por isso, falamos antes da importância de ter uma rede de apoio e do quanto não esquecer de você mesma é fundamental para uma relação saudável com seu filho. Não encare esse tempo só seu como algo supérfluo, que pode ficar em segundo plano: tenha você como prioridade, en- tendendo que quem ganha são todos à sua volta.

“Quando mãe e filho formam uma dupla muito grudada e de- pendente emocionalmente pode não ser legal. É bom ter algo que quebre isso, ter outras motivações, trabalho, amigos, outros desejos além do filho”, lembra a psicóloga Helena Montagnini, da Huntington Medicina Reprodutiva (SP). Recorra aos avós, sugira um rodízio no grupo de mães da escola (elas vão te agradecer!) ou se dê ao luxo de contratar uma babá de vez em quando. Vá devagar, comece com meia hora para fazer as unhas, passe para duas horas e vá ao cinema, depois estenda para uma noite com as amigas, um curso uma vez por semana... quem sabe você consegue até chegar a uma viagem curta sozinha?

•ROTINA E DISCIPLINA, SUAS MELHORES AMIGAS O dia a dia com uma criança, mesmo com toda a ajuda do mundo, pode ser enlouquecedor. Para não ser engolida nesse processo, organização e firmeza são fundamentais. Acredite: uma casa com rotina e uma criança que entende que é daquele jeito que as coisas funcionam tornarão sua vida muito mais leve. É necessário ter muita paciência e persistência para alcançar este objetivo, mas não desista, pois o resultado é compensador: mais tempo de qualidade e disposição para estar com seu filho. “Sempre foi um quebra-cabeça fazer sobrar tempo para tomar banho de mangueira com meu filho, ou se quando ele quisesse ver um bichinho pelo caminho eu pudesse parar para atendê-lo, e não dizer ‘vamos logo’. Mas vale a pena”, afirma Thaiz Leão.

•ESQUEÇA TUDO QUE VOCÊ SABE SOBRE SER MÃE Sabe aqueles filmes a que você assistia, com mães perfeitas e devotas à família? Ou ainda as histórias que leu, ouviu e até fantasiou? Pode esquecer. “Temos de desconstruir essa ideia de família e de maternidade como a gente conhece ou imagina que é: que a mãe tem de dar conta de tudo ou que precisa de um companheiro para ser a família perfeita. É fundamental e urgente olhar para a maternidade num contexto real”, alerta a psicóloga Mariana Bonsaver, da Maternidade Pró Matre (SP).

Para isso, tente se cercar de pessoas que não vinculem a família a essa imagem de pai presente. Isso ajuda a aliviar essa cobrança e a dar espaço para você respirar. Foi o que se viu obrigada a fazer a influenciadora digital Pâmela Ghilardi, 27 anos, mãe de Lucca, 7, que compartilha suas experiências de mãe solteira, como prefere chamar no @fofocademae. “O grande preconceito que sinto não é nem com os homens com quem me relaciono, mas dentro da própria família, em que as pessoas não param de me perguntar quando vou arranjar marido. Nunca fui convidada para ser madrinha dos filhos das minhas amigas, porque pegava mal, sabe? Me afastei de uma, por exemplo, que só me convidava para a casa dela quando o marido estava lá”, conta.

Se isso acontece com você, o melhor a fazer é se afastar dessas situações, pelo menos por um tempo. Entenda o que é a maternidade, se aceite e, então, aproxime-se de quem a compreende e acolhe de verdade.

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